Dunnas G & Grande Homem - Sem Igual [EP]
Rap Ziro - MEDO [EP]
A nova EP “MEDO”, de Rap Ziro, apresenta um lado mais amplo do artista e mostra um rapper que não se limita a uma única fórmula. O projecto reúne 6 faixas, com o Hip Hop/Rap a ocupar a maior parte do espaço e uma passagem pela Kizomba, criando um contraste interessante entre a força das barras e uma sonoridade mais emocional e melódica. O título MEDO também sugere um projecto voltado para sentimentos, inseguranças, escolhas e aquilo que muitas vezes carregamos por dentro sem dizer em voz alta. Rap Ziro vem construindo o seu percurso no circuito da Beira/Sofala, aparecendo em colaborações com artistas como Djick Rock e Alma Negra, inclusive no projecto Dias de Azar, lançado em 2024, o que mostra a sua ligação com a cena rap do centro de Moçambique.
O que mais chama atenção em “MEDO” é justamente essa mistura de linguagens. Quando Rap Ziro está no Rap, há espaço para desenvolver ideias com mais peso e identidade; quando entra na Kizomba, a abordagem ganha outra temperatura e aproxima o projecto de temas mais sentimentais. E isso é importante porque mostra evolução: o artista não parece preocupado em provar que consegue apenas rimar, mas em mostrar que também consegue contar histórias através de diferentes sonoridades. A EP acaba por funcionar como um retrato de um artista em crescimento, ainda muito ligado às raízes do Hip Hop da Beira, mas disposto a experimentar e alcançar públicos diferentes. Até porque o seu nome já aparece associado a trabalhos colaborativos recentes e a diferentes vertentes do rap moçambicano.
“MEDO” soa como uma etapa importante na caminhada de Rap Ziro. Mais do que uma EP com seis músicas, é uma oportunidade para perceber quem está por trás do nome artístico: um rapper que procura espaço, mas também procura identidade. E talvez seja essa a melhor forma de ouvir o projecto — não apenas pensando no que ele já conseguiu, mas no que ainda pode construir a partir daqui.
Mavundja - Kulaya [EP]
Professor Analfabeto - Prova Oral [EP]
Landrick - Onde Está Meu Amor? - [EP]
Djick Rock - Mudança [EP]
Djick Rock é um rapper e compositor moçambicano natural da província de Sofala, residente na cidade da Beira. Tornou-se conhecido no cenário do Hip Hop moçambicano pela sua forte ligação às raízes culturais da região centro do país, sendo membro do grupo Munhava Gang. Uma das suas principais características é o uso da língua Cisena nas suas músicas, através da qual transmite mensagens de consciencialização, reflexão social e valorização da identidade cultural moçambicana.
Ao longo da sua carreira, Djick Rock conquistou reconhecimento no movimento underground da Beira com letras que retratam a realidade vivida pela população, abordando temas como dificuldades sociais, cultura, identidade e perseverança. Em 2018 lançou o álbum "Nzimu Wa Thazy", que teve boa aceitação na cidade da Beira e ajudou a consolidar o seu nome no Hip Hop da região centro de Moçambique.
Nos últimos anos, o artista manteve-se activo com novas colaborações e lançamentos. Entre os seus trabalhos mais recentes destaca-se o single "Filho da Beira" (2026), além de participações em músicas como "Dias de Azar", ao lado de Alma Negra e Rap Ziro, e outras colaborações que reforçam a sua presença na nova geração do rap moçambicano.
Djick Rock é reconhecido pelo seu estilo autêntico, pela valorização das línguas nacionais e pelo compromisso em utilizar o Hip Hop como instrumento de educação, preservação cultural e transformação social, sendo considerado uma das vozes mais representativas do rap produzido na cidade da Beira.
TXC, DJ Neptune, Lilgeebeatz, Scotts Maphuma & Shoday feat. Davido - Nakupenda (I Love You Summer Pack) [Explicit] [EP]
Zibu 28 - Half of My Journey [EP]
NerdFND - MMINFE [EP]
Dj Mankind SA - Groovers Tale [EP]
King Cizzy - Antes de Tudo Mudar [EP]
Filomena Maricoa - Estação do Amor [EP]
A nova EP de Filomena Maricoa mostra mais uma vez porque a cantora continua a ser uma das vozes femininas mais marcantes da música moçambicana. Com 4 faixas, o projeto parece navegar por diferentes emoções e fases de uma relação amorosa, mantendo aquela identidade vocal doce, emocional e ao mesmo tempo firme que já caracteriza Filomena. O interessante nesta EP é que, mesmo com poucas músicas, ela consegue transmitir diferentes perspectivas sobre amor, entrega, ambição e destino.
A faixa “Se For para Ser, Será” soa como o coração emocional da EP, trazendo uma mensagem de maturidade sobre aceitar o tempo e o rumo natural das coisas, especialmente no amor. Já “Papy” e “My Baby” puxam o projeto para um lado mais romântico e íntimo, com aquela energia de carinho, conexão e cumplicidade que conversa facilmente com o público que acompanha a artista. Por outro lado, “Money” introduz uma camada diferente, tocando numa realidade cada vez mais presente nas relações modernas: o peso das condições financeiras, ambição e estabilidade na construção da vida a dois.
Esta EP mostra uma Filomena Maricoa versátil e emocionalmente honesta, capaz de alternar entre romantismo, vulnerabilidade e consciência sem perder autenticidade. Mais do que apenas músicas de amor, o projeto parece falar sobre escolhas, expectativas e aquilo que realmente sustenta uma relação. É uma obra que reforça o talento da cantora em transformar sentimentos do quotidiano em canções que soam próximas, reais e fáceis de sentir.
Monsta - Mal Me Queres [EP]
Leia Nhambe - Timintsu Ta Vulavula [EP]
A EP de estreia “Timintsu Ta Vulavula” da cantora Leia Nhambe chega como uma apresentação bastante promissora de uma artista que parece saber exatamente o que quer transmitir logo no primeiro projeto. Com apenas 4 faixas, Leia consegue construir uma identidade que mistura sonoridade afro, vivências do quotidiano e elementos culturais que reforçam as suas raízes. O próprio título da EP, cantado em língua local, já mostra que ela não tenta seguir tendências apenas por seguir — há uma intenção clara de valorizar identidade, tradição e pertença cultural.
O que torna esta EP interessante é a forma como cada faixa parece carregar uma narrativa própria. “Timintsu Ta Vulavula” soa como o coração do projeto, quase uma introdução ao universo artístico da cantora. Já “Minha África” traz um sentimento de orgulho e ligação ao continente, celebrando cultura, história e ancestralidade de forma emocional. “Moto Táxi” aproxima a obra do quotidiano popular, retratando uma realidade urbana que muita gente conhece de perto, o que dá um toque mais autêntico e acessível à EP. Por fim, “Lhonipho”, em colaboração com Osvalda Nhacune, adiciona ainda mais riqueza vocal e sensibilidade, fechando o projeto com uma energia de respeito, tradição e união.
Leia Nhambe estreia de forma madura, especialmente para alguém que está a dar os primeiros passos oficialmente. Em vez de tentar impressionar apenas com produção ou tendências comerciais, ela aposta em conteúdo, identidade e conexão cultural. “Timintsu Ta Vulavula” soa como o início de uma caminhada artística com potencial para crescer, principalmente porque transmite algo que hoje faz muita diferença na música: autenticidade.
Dunnas G - Coisas do Coração [EP]
A nova EP “Coisas do Coração” do rapper Dunnas G chega com uma carga emocional pesada e bastante humana, mostrando um lado mais vulnerável e maduro do artista. Sendo um rapper natural da Beira e atualmente residente em Maputo, Dunnas G parece usar essa obra de 5 faixas como um espaço de confissão, onde transforma dores pessoais e realidades sociais em música. O título da EP já entrega muito: aqui não se trata de barras vazias ou rap apenas para mostrar técnica, mas de sentimentos reais, feridas abertas e histórias que muita gente evita contar.
O que mais chama atenção em Coisas do Coração é a forma como a EP mergulha em temas sensíveis sem tentar suavizá-los. Falar de traição já carrega peso por si só, mas abordar também a dor de um filho que cresce sendo vingado pela madrasta torna o projecto ainda mais profundo. Isso mexe porque sai do campo do entretenimento e entra numa realidade que muitos vivem em silêncio. Dunnas G consegue tocar nessas feridas com honestidade, fazendo o ouvinte sentir que cada faixa carrega um pedaço da sua vivência ou de histórias que presenciou de perto.
Esta EP mostra um Dunnas G mais consciente da força da própria caneta. Ele não usa o rap apenas para rimar — usa para expor cicatrizes, provocar reflexão e dar voz a dores que muitas vezes ficam engolidas. Coisas do Coração soa como aquele tipo de trabalho que não pede apenas para ser ouvido, mas para ser sentido, porque fala de ausências, decepções e afectos mal resolvidos que, no fundo, fazem parte da vida de muita gente.
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